segunda-feira, 26 de junho de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 17º ATO – SAULO, O EVANGELHO E A PERSEGUIÇÃO - Atos 9.20-30.




A porção final do versículo dezenove (19) diz que Saulo permaneceu em Damasco alguns dias com os discípulos. Saulo desfrutou do convívio com seus irmãos em Cristo logo após Deus tê-lo convertido de uma forma humilhante. Isso foi muito bom para Saulo. Ele não só foi convertido do judaísmo para o cristianismo como também encontrou neste, irmãos, companheiros que tinham a mesma fé. O versículo vinte (20) nos diz que “logo pregava, nas Sinagogas, a Jesus, afirmando que este é o Filho de Deus”. Ele permaneceu em Damasco alguns dias, diz o texto, e então Lucas omite o fato de que ele saiu de Damasco ficou um período nas regiões da Arábia (Gálatas 1.15-24) e depois voltou à Damasco de onde acabou tendo de sair escondido em um cesto que foi baixado pelos irmãos em Cristo do alto de uma muralha até o chão, ato que lhe preservou a vida.

Lucas, parece omitir aqui, por entender que não era necessário aos seus propósitos, o que de fato aconteceu a Saulo depois de seu Batismo. Como vimos isso nos é informado pelo próprio Saulo na carta que escreveu às Igrejas da Galácia (Gálatas) quando o apóstolo dos gentios, faz dura oposição aos “cristãos judaizantes”, ou seja, aqueles que defendiam que um gentio, antes de se tornar um cristão, tinha que ser circuncidado. Ali naquela carta Saulo diz o seguinte sobre esse espaço de tempo que vai de sua conversão até o início de seu testemunho, tanto em Damasco como em Jerusalém e que parece ter Lucas omitido:

“Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu O pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da Arábia e voltei, outra vez, para Damasco. Decorridos três anos, então, subi a Jerusalém para avistar-me com Cefas e permaneci com ele quinze dias; e não vi outros dos apóstolos, senão Tiago, o irmão do Senhor”. (Gálatas 1.15-19)

O máximo que podemos supor é que o período entre seu batismo, pregação em Damasco, sua saída para a região da Arábia, sua volta e fuga de Damasco e então sua volta a Jerusalém foi o de três anos. Devemos considerar também que os judeus contavam como um ano inteiro, parte de um ano.

Eis o gráfico que oferecemos para tentar ilustrar melhor esse período relatado aqui por Lucas de forma fragmentada e sob o qual Saulo em sua carta aos Gálatas lança luz.

                                     
                                               Testemunho em Damasco
Conversão e Batismo                Saída e Reclusão na Arábia          Volta a Jerusalém
                                                     Retorno a Damasco
                                                       Fuga de Damasco
                                                             3 anos

                                       

Por que Saulo agiu assim? Por que se reclusou durante um período que pode chegar a três anos? Por que teria Paulo, logo após sua conversão, ido para as regiões da Arábia? Seria para que pudesse refletir sobre sua vida, seu farisaísmo, sua conversão?

Seja qual forem as conjecturas a esse respeito, é preciso, mais uma vez, relembrar quem Saulo era no contexto da religião judaica e como ele agiu ao perseguir duramente os cristãos.

Saulo era um homem brilhante. Não é possível ler seus escritos sem que cheguemos a essa conclusão. Saulo era filho de israelitas, era da tribo de Benjamim, na religião judaica se tornou um fariseu, (intérprete da lei). Era um notável judeu. Um judeu convicto. Ele entendia que o cristianismo era um atentado contra o judaísmo e que o cristianismo era uma heresia e, como tal, algo pernicioso. Agora ele é um cristão! De perseguidor ele irá se tornar um perseguido. Talvez ele precisasse de um tempo para “digerir”, acomodar, adequar sua mente e coração diante de sua nova condição; ele que houvera sido perseguidor de cristãos, agora se tornara, surpreendentemente, um cristão.

Seja qual for, ou forem, as razões, Saulo afirma ter se isolado por um tempo e depois voltou a Damasco onde começou a expor, ousadamente, ser Jesus o Messias de quem tanto os Profetas do Antigo Testamento falaram.

É importante notar o que Paulo diz a respeito que em sua discussão com judeus quando apresentava Jesus como o Messias, ele mesmo disse aos Gálatas: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo”. (Gálatas 1.11,12).

Em sua carta escrita aos Coríntios quando ele fala sobre a prática da Celebração da Ceia, ele diz: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei”....”. (I Coríntios 11.23a)

Parece-me que o aparente ostracismo auto imposto de Paulo, foi como que um curso intensivo com o próprio Mestre dos mestres, Cristo Jesus. É interessante notar que os outros discípulos também passaram o mesmo tempo com Jesus. Foram três anos de reclusão onde Saulo deve ter refletido profundamente sobre a sua vida passada, sobre seu encontro transformador com o Cristo de Deus e sobre como seria sua vida dali para frente.

O versículo vinte e um nós diz que a ida de Saulo à Damasco tinha como objetivo precípuo prender cristãos e leva-los amarrados aos principais sacerdotes. O evangelho parece ter chegado forte em Damasco.

O testemunho de Saulo deixou todos confundidos, principalmente os judeus. Saulo declarava sem medo e com poder, que Jesus era o Messias (Cristo) que tanto esperavam.

E a oposição a Saulo não foi tardia. Os judeus, enraivecidos decidiram tirar-lhe a vida. O texto dá a entender que eles espreitavam para mata-lo. Todavia, os discípulos sabendo disso, o colocaram em um cesto e o desceram pela muralha. Saulo então retorna a Jerusalém.

Em Jerusalém Saulo procurou os irmãos em Cristo, mas é óbvio que havia muita desconfiança. Talvez imaginassem que ele estava se passando por um discípulo de Cristo apenas para descobrir que eram os discípulos e então prendê-los. Sua fama como perseguidor de cristãos era notória. É como diz o ditado: “Fez a fama, deita na cama”.

Eis então que surge um personagem notável – Barnabé. Bem, já vimos que esse era o apelido pelos apóstolos a um homem chamado José (Atos 4.36,37). Barnabé quer dizer “filho da exortação”. Foi esse José, apelidado Barnabé que levou Saulo aos apóstolos e contou aos apóstolos o que lhe acontecera no caminho para Damasco. Barnabé disse também que Saulo pregava ousadamente em nome de Jesus, na cidade de Damasco.

Saulo então foi aceito e fez o mesmo que em Damasco; pregava ousadamente a respeito de Jesus. Saulo falava e discutia com helenistas, que como já sabemos, eram judeus com nomes gregos e foi duramente rechaçado. Nem Damasco, nem Jerusalém; um começo pouco recomendável, aparentemente desmotivador para alguém a quem Deus convertera de forma tão singela e confiara um ministério notável (Atos 9.15).

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

·   Nenhuma conversão é isenta de humilhação. Zaqueu teve que descer do Sicômoro, depois de ter que subir nele por ser de pequena estatura. Uma vez lá em cima, ouviu as palavras de Jesus: “Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa”. (Lucas 19.5b) Não foi um pedido ou convite. A Saulo, Jesus igualmente chamou pelo nome – Saulo – e o fez em tom imperativo – “levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer”. (Atos 9.6)

·    A proclamação do Evangelho não pode ser uma aventura sem preparo e adequação. Saulo tinha conhecimento avantajado das Escrituras Sagradas, mas ele precisava rever alguns conceitos e princípios, ele precisa rever posicionamentos, preparar-se para defender, agora, sua nova posição. Há muitos que se convertem e imaginam que as Escrituras são óbvias e saem fazendo asseverações sobre Cristo que não correspondem ao que é real e bíblico. Muitos naufragam quando a embarcação de suas vidas convertidas ainda navegam por águas rasas simplesmente porque a emoção da conversão não vem acompanhada do necessário aprendizado que o testemunho a respeito de Cristo exige. Outros induzem multidões ao erro e desviam outros tantos do caminho da salvação. Vejam os pregoeiros da teologia da prosperidade. O evangelho por eles pregado não é o verdadeiro evangelho que inclui as perseguições e aflições que são naturais para todos aqueles que primam por uma vida de piedade e santidade. Não foram poucos os que tentaram pregar outro evangelho, mas Paulo não; ele primou por pregar o verdadeiro Evangelho, aquele que o próprio Cristo, o cerne, a essência do Evangelho lhe revelou quando estava recuso nas regiões da Arábia.

·    O resultado da pregação nem sempre é a conversão de almas. Saulo havia sido testemunha do homicídio de Estevão. Os judeus cheios de ódio o mataram sem que houvesse sido proferida qualquer sentença contra ele. Esse foi o resultado do testemunho poderoso de Estevão. O capítulo oito (8) de Atos diz que Saulo consentia com a morte de Estevão. Agora Saulo prova do mesmo juízo cheio de ódio. Ele prega nas Sinagogas. O Evangelho é primeiro para os judeus. Essa seria sua temática em todo seu ministério como missionário. E ele demonstra que Jesus é o Messias. Ele prega com ousadia. Então tentam contra a vida dele em Damasco. Foram os judeus que tentaram contra a vida dele. Nem sempre o resultado do nosso testemunho cristão resulta em conversões. Ele se vê obrigado a sair de Damasco escondido em um cesto que foi baixado pelos discípulos de Jesus, seus irmãos em Cristo. Que paradoxal; aquele que ele antes queria prender, o livram de morrer.

· A proclamação evangélica deve ser continuada, jamais interrompida. Saulo vai para Jerusalém. Foi de lá que ele saiu há aproximadamente três anos. Sai para perseguir e volta como um fugitivo, que teve que se esconder em um cesto. Que golpe! Que mudança de rumo! Que mudança de vida! Deus tem planos e esses planos não podem ser frustrados. (Jó 42.2) Parece, todavia, que em Jerusalém, também, assim como o próprio Salvador, ele, Saulo, não seria aceito.

·      A comunhão é importante para o exercício de nossa fé. A fé tem um forte componente comunitário. Que proveito há na fé de um ermitão. Somos seres sociais. Amamos o relacionamento com outros humanos e principalmente com aqueles que comungam da mesma fé, esperança, sonhos e desejos. Então Saulo procurou os discípulos. É assim mesmo; queremos sempre estar entre os nossos. A Igreja é a família de Deus porque somos irmãos uns dos outros e Jesus é nosso irmão mais velho. Mas, lá em Jerusalém ele também iria enfrentar oposição dura.

·   Em nossa proclamação evangélica jamais estamos sozinhos. Jesus disse, na Grande Comissão, que estaria presente até a consumação do século (Mateus 28.20). Entretanto, além de sua doce presença, temos também irmãos valorosos. Na vida de Saulo surge então José, apelidado Barnabé, e esse personagem notável o inseri na comunidade cristã de Jerusalém. E ele, como em Damasco, prega com ousadia. Em Jerusalém são os helenistas, judeus nascidos fora dos limites de Israel e que preferiam a língua grega ao aramaico. Saulo era um helenista, em certo sentido. Barnabé esteve ao seu lado, mas a situação se agravou e ele teve, com a ajuda dos irmãos em Cristo que sair de Jerusalém. Diz o texto que “levaram-no até Cesaréia e dali o enviaram para Tarso”. (Atos 9.30)

Paulo vai permanecer em Tarso por alguns anos. Ele voltará ao cenário do livro de Atos dos Apóstolos no capítulo 13 quando o mesmo Barnabé o busca em Tarso para uma obra da qual ele se incumbiu de forma notável. 
Isso veremos mais à frente.

Até lá....

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